O maior mentiroso da face da Terra

Se você quiser rir com as estórias do maior mentiroso do planeta, e ao mesmo tempo, aprender um pouco de história, visite o blog http://rodolphochimentao.blogspot.com.

O blog, de autoria do escritor e tradutor Carlos de Paula, contém uma série de estórias de um exagerado homem que se diz Conde, e que de uma forma ou outra consegue se inserir em importantes fatos históricos, como a Revolução de 64, a ida do Homem à Lua e a Copa do Mundo de 1950. Dele seria o recorde da pista antiga de Interlagos, foi ele que chegou ao topo do Everest pela primeira vez, e quem deu a ideia para criação da Disneylandia, entre outros feitos.

O vivo “Conde” cuida de chamar de amigos do peito somente pessoas já mortas, que não podem comprovar ou negar as suas estórias. Além disso, o hiperbólico nobre alega saber um número sem fim de idiomas, ter diversos diplomas universitários, e tocar dezenas de instrumentos musicais. Os números nunca são os mesmos, de post para post.

Atualmente o blog tem umas cinquenta estorinhas, todas curtas. O difícil é descobrir o que é verdade (e tem muita verdade lá) e o que é mentira.

 

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Le Lapin Troubador

Imagine um restaurante parisiense que una tradição, qualidade, simpatia, excelente decoração e ambiente, cardápio moderno, staff atencioso e eficaz e ainda por cima, preços não tão salgados. Esse é o Le Lapin Troubadour.

Nas minhas diversas idas a Paris, já comi em muitos lugares bons, porém, o Le Lapin Troubadour é de longe um restaurante classe A, com preços razoáveis. Nunca ousei pagar 500 euros por refeição, nem mesmo em Paris, até porque estou longe de ser milionário. E já ouvi muitas estórias horríveis.

Além disso, sou alérgico a patos. E o dono do Le Lapin Troubadour, segundo me contaram, ama patos. Por isso não há patos no cardápio, tampouco foie gras. A casa sequer usa carne de gansos, que afinal de contas, não são patos.

Desde pratos conhecidos, como Chateaubriand, até o raro Dos de Chanceloux (um peixe importado da Islândia), o Le Lapin Troubadour oferece o que há de melhor. As batatas são belgas, os aparagos austríacos, e os vinhos…ah, os vinhos.

O sommelier da casa, François Duschaine, é um dos grandes nomes da enologia mundial, e escolheu uma carta eclética, com vinhos com aromas e gosto comum, até bebidas com gosto de madeira, pera, cereja, carvão, etc. É preciso voltar algumas vezes para explorar a carta.

Enfim, comer bem em Paris é comer no Le Lapin Troubadour.

Confissões de um chato

Confesso que às vezes gosto de ser chato. Porém, nem sempre a culpa é minha.

Outro dia, uma amiga, após me ouvir divagar sobre política e economia durante mais de uma hora, me fez uma pergunta. Quem, na minha opinião, tinha sido o inventor do avião.

Não sei o por que da amável questão. Numa certa altura da noite, discutíamos sobre os partidos políticos americanos, o que representavam no século XIX e hoje. Acho que daí veio a pergunta, admito em forma um tanto tangencial e contextualmente incompreensível.

Como bom estraga-festas, respondi-lhe que, de acordo com meus parcos conhecimentos de engenharia, na realidade, foram os Irmãos Wright a voar pela primeira vez com um aparelho mais pesado que o ar. Indubitavelmente.

Argumentei que o fato de o voo do 14-Bis ter sido mais longo, e sem grande ajuda externa, pouco ou nada significava. O 14-Bis obviamente era um avião melhorado, mas não fora o primeiro aparelho mais pesado que o ar a voar.

Cheguei até a argumentar que a placa no prédio onde viveu Santos-Dumont em Champs-Elysée o identifica como pioneiro da aviação, e não inventor do avião. E olha que os franceses, sempre que podem, gostam de dar uma pinicada nos americanos. Como gostam!!!

Desapontei a moçoila, que já estava pronta para votar em mim, embora não seja candidato a nada.

No Brasil, muitos têm a mania de achar, bairristicamente, que somos o povo mais criativo do mundo…

Para muitos o Silvio Santos é um gênio, por ter criado seu popularesco programa de TV, verdadeira maratona de um terço de dia no seu auge. Além disso, gênio de marketing, o apresentador teria adotado um novo nome, substituindo o menos palatável Senor Abravanel, que poderia ofender ouvidos anti-semitas de suas colegas de trabalho mais acostumadas com Silvas, Souzas e Santos. Assim como a Casas Bahia nada tinha de baiana ou de baianos, tampouco SS nada tinha a ver com o sobrenome Santos, comum entre as massas brasiloides. Grande jogada.

Sinto desapontá-los, porém SS simplesmente copiou algo que um apresentador chileno vinha fazendo desde 1963. Seu nome, Don Francisco. Adivinharam, de Francisco o sujeito nada tem, seu nome realmente é Kreutzemberger ou coisa do tipo. Além da adaptação nominal, Silvio copiou também a estrutura do show, com atrações diversificadas, populares de doer, sem requerer muita massa cinzenta. Copiou inclusive a longa duração da atração televisiva chilena.

Algo me diz que alguém andou viajando para Santiago no início dos anos 60…Não vou dizer quem.

Que me consta, a única coisa diferente que SS fez foi casar seu Baú da Felicidade com seu show. Don Francisco nunca teve um Baú, embora tenha hoje uma fortuna estimada em US$ 100 milhões. E o SS acabou sem o Baú, no final das contas.

Antes que me esqueça, quem realmente criou o Baú da Felicidade foi Manoel da Nóbrega.

Certo estava o Chacrinha.

Aliviado

Confesso que estou aliviado que o Santos finalmente contratou o Montillo, pois isto, de certa forma, significa que não contratará o Robinho.

Nada tenho contra Robinho. Acho-o um excelente jogador. Só acho que o Santos tem que parar com essa mania de contratar “ex-ídolos” e tocar o barco para a frente com sangue novo. Principalmente quando os ex-ídolos voltam ao time bem mais velhos, ganhando rios de dinheiro, tornando-se posteriormente invendáveis.

Francamente, não acho que o Robinho iria adiantar muito ao Santos atual. O que o time precisa é justamente de um armador, não de um concorrente para Neymar no ataque. Nem tampouco, deve o Neymar transformar-se em armador.

Na sua última passagem pelo Santos, Robinho basicamente usou o time para ganhar ritmo de jogo para representar (mal e porcamente) a Seleção na Copa. A um senhor preço para o time, diga-se de passagem.

Marcou seus golzinhos, porém, não acho que fez grande diferença; era a época em que Ganso ainda jogava futebol, afinal de contas.

Depois veio o Elano, que jogou futebol durante seis meses até se enrolar com uma atriz de segunda da “grobo”. Sõ voltou a jogar no Grêmio.

A última passagem do Giovanni, que dizer…

Só falta lá por 2022 o Santos contratar o Ganso de volta, depois das mal criações dos seus últimos dias no time da Baixada. Pois o Robinho também aprontou quando quis sair do Brasil, não se esqueçam.

Natal na era do egoísmo

Admita. Vivemos na era do egoísmo e narcisismo. Somos cada vez mais egocêntricos, tirando”fotinhas” próprias com celulares, postando incessamente pensamentos dos outros no Facebook como se fossem nossos, e de modo geral SE ACHANDO. Só que ninguém na realidade se acha…

Antigamente, com a chegada de dezembro as pessoas compravam cartões de papel, ás vezes com dificuldade. Pegavam suas listinhas de familiares e amigos, e gastavam um bom tempo endereçando com carinho os cartões e escrevendo mensagens personalizadas. Depois vinha a fila do correio e o custo dos selos. Era outra época, e muitos sequer tinham telefones, o cartão era uma oportunidade de dizer que se lembrava de alguém.

Depois vieram os celulares, e hoje no Brasil há mais telefones do que pessoas. Não importa que metade dos telefones esteja nas mãos do crime organizado. Ainda assim, a maioria das pessoas tem telefone.

Só que chamadas telefônicas ainda custam caro e poucos ligam, principalmente para o exterior.

Bom, tem o email, grátis para a maioria. Daí o pessoal começou a mandar cartõezinhos fofinhos por email, ainda personalizados. Ou torpedinhos engraçados. Ainda tinham o trabalho de compilar as listas, e personalizar os cartões e torpedos.

Veio o orkut, depois o facebook. As pessoas começaram a achar melhor enviar mensagens nos Walls e Scraps das pessoas, administrando seus “contatos”.

Hoje em dia, nem isso. Apesar de email não ter custo, as pessoas não enviam mais nem mensagens personalizadas por email, dá trabalho. Simplesmente colocam um Papai Notel, às vezes fotos de mal gosto de Papai Noel com mulheres (ou homens) peladas(os), e tacam uma mensagem generalizada no seu próprio Wall. Se você leu, muito que bem. Se não leu, dane-se.

Este é o Natal na era do egoísmo.

Adeus JT

Não vou ser dissimulado. Moro no exterior há muitos anos. Não vou dizer a vocês que a primeira e última coisa que fazia ao chegar em São Paulo era comprar um exemplar do Jornal da Tarde. Seria uma mentira das mais escabrosas.

 

Entretanto, quando ainda vivia no Brasil, li bastante o Jornal, e gostava do seu jeito “light” de ser. Certamente bem mais light do que o Estadão, na época muito mais sério do que hoje. Parecia a diretora das minha escola, e seus temíveis óculos de lentes verdes.

 

O fato é que a morte de mais um jornal em São Paulo nos leva mais próximo da realidade – que logo logo, teremos no máximo uns dois jornais diários impressos em São Paulo. Não precisar dizer quais serão eles.

 

Hoje em dia, admito, leio jornais na Internet. Sou um dos pioneiros da internet comercial, e simplesmente me acostumei. Curto um jornal impresso. Ou seja, sou tão parte do problema, como da solução.

 

O mais curioso é que no dia em que circulou a última edição do JT, o site estadao.com.br não fez sequer menção da efeméride.

Festival de besteiras

Sempre admito que não entendo muito de futebol. Sou daqueles que adoram dizer que um time  joga sem bola, sem entender exatamente do que está falando, e quando um técnico que julgo tacanho começa a explicar táticas, me perco todo.

Porém, certos conceitos são tão fáceis de entender, que não é preciso ser entendedor profundo das coisas da bola para detectar e diagnosticar problemas.

O Santos tem um problema sério. Acho que Neymar é, sem dúvida, o melhor jogador brasileiro do momento. Entretanto, Neymar não é salvador da pátria, não pode fazer tudo sozinho.

Alguns dizem que o Santos é um time de sorte, teve Pelé, depois teve Pita, Giovanni, depois Robinho. E agora tem Neymar.

É muito fácil apontar esses cinco craques como salvadores da pátria, porém, é um desfavor para o time, e ofensa para aqueles que jogaram com eles na época.

Esqueçam Maradona e Messi. Pelé foi o melhor jogador de todos os tempos, uma pena que a grande maioria dos jogos em que participou não foram filmados ou gravados. Algo assim como Nuvolari e Fangio no automobilismo.

Porém, apesar do seu gênio, Pelé teve um bando de companheiros que davam uma consistência incrível ao Santos – Pepe, Gilmar, Zito, Lima, Ramos Delgado, Carlos Alberto, Mengálvio, Coutinho, Edu, Clodoaldo, Dorval, Toninho, etc, etc. Não é à toa que quando jogadores como Turcão, Pitico, Picolé e Brecha começaram a aparecer no Santos, nem mesmo o gênio de Pelé serviu para muita coisa.

E foi assim com os meninos da Vila de 1978-79, com a rapaziada do começo do século. Robinho é craque, porém, sem Diego, Renato, Elano, Alex, Fabio Costa, Deivid e outros, não teria feito muita coisa.

A mesma coisa com Neymar. Sim, o SFC manteve o craque, porém, grande maioria do resto do time a seu lado mais lembra Turcão do que Lima. Houve a novela Ganso, porém, deixar Elano, Borges e Alan Kardec escapar ao mesmo tempo, e contratar alguns jogadores de qualidade questionável, não me parece a melhor das estratégias.

Ok, ganhamos dois títulos neste ano, porém, o SFC tem um problema endêmico com o Brasileirão. Curiosamente, tem um técnico especialista que ganhou o campeonato quatro vezes desde 2006, entretanto, com o Santos não consegue sair da intermediária. A meu ver, será justamente o Muricy o primeiro a partir se as coisas não melhorarem rapidamente.

O fato de o time estar fora da Libertadores ajuda. A tal da Libertadores atrapalha muito os times, que apostam todas suas fichas no intercontinental e expõe o elenco às piranhas europeias – os tais empresários e investidores. Imagino que os dirigentes priorizem por que dá grana, porém, vejam o histórico, em geral o Santos tem desempenho pífio em outros campeonatos, quando está disputando a Libertadores.

Depois do Muricy, quem irá será o próprio Neymar. E o que fará a diretoria do Santos, contratar outros Bill ou fazer negócios com o Grupo Sonda?

Acordem, diretoria. Precisamos de meio campistas, e o Robinho também não é a solução. Se quiser alguém deste perfil, que tragam o Diego! Antes que seja tarde.

A faca de dois gumes do preconceito

Provavelmente, você já ouviu que todo judeu é inteligente, todo negro tem musicalidade inata, todo brasileiro é simpático, todo japonês honesto e todo alemão é pragmático.

Quando nos convém, nutrimos estas noções como se fossem normativas. Como se estivessem no DNA a simpatia do brasileiro, a inteligência do judeu, o pragmatismo do alemão, a honestidade do japonês e a musicalidade e ritmo do negro. Queremos nos convencer de que existe uma inevitabilidade das virtudes, pois agregam valor à nossa respectiva auto-imagem.

No Brasil existem até leis que proíbem alusões negativas, como preguiça, burrice, insensibilidade, cheiro forte, desonestidade, feiura, mal desempenho sexual, antipatia, pão-durismo, e um número de outros atributos pejorativos, a um ou outro grupo de pessoas.

Sou contra o preconceito, porém, achar que todo judeu é inteligente, todo negro tem musicalidade inata, todo brasileiro é simpático, todo japonês honesto e todo alemão é pragmático, é tão preconceituoso quando anexar a uma nacionalidade ou raça, atributos negativos, que resultam até em prisão! Afinal de contas, existem negros sem musicalidade, alemães nada pragmáticos, judeus burros, japoneses desonestos e brasileiros antipáticos.

O que ocorre é que confundimos fatores culturais, com inevitabilidades genéticas. Na cultura brasileira, somos em grande parte ensinados a ser simpáticos, os japoneses, a ser honestos, os estudos são há milênios enfatizados na cultura judaica, o ritmo entre os negros, e o pragmatismo pelo povo alemão. São coisas ENSINADAS, e aprendidas, portanto, não tem nada de DNA na história.

Portanto, a próxima vez que alguém vier com uma expressão (TAL POVO) É (ELOGIO), alerte a pessoa que está sendo preconceituosa.

Mais ou menos um conto do vigário

Há um tempinho atrás caí num “meio” conto do vigário, e gostaria de alertar os internautas. Digo meio por que não fui roubado, somente enganado.

Minha mãe faleceu há alguns anos atrás, e deixou um humilde apartamento em Curitiba. Como moro no exterior, e sou originalmente de São Paulo, procurei colocar o imóvel à venda o mais rápido possível. Contratei os serviços de uma corretora recomendada pela advogada que tratou da documentação da minha mãe. Desconhecendo o mercado de Curitiba, pedi um valor que achava razoável pelo imóvel. Isso foi um outubro de 2008.

Em fevereiro de 2009, após alguns contatos, recebo uma chamada da corretora, dizendo ter um comprador. Por sorte, eu estava no Brasil na época, e logo me desloquei para Curitiba para fechar o negócio. Passei uma manhã de segunda-feira de cão, procurando dar baixa em contas de luz e telefone, e dar tempo de chegar no cartório ás 13 horas.

Quando chego lá, a corretora, na maior cara de pau, me diz que o “cliente” era seu filho! Disse-me que este (que já tinha conhecido anteriormente) ia se casar,  reformaria o apartamento, etc. Achei um pouco estranho, porém, não tive como contestar naquele momento. Já estava de viagem marcada para o exterior.  Me pagaram deduzindo a comissão de corretagem, apesar de serem eles mesmos os clientes.

Pois bem, até aqui nada de errado. Confiei que tudo estava nos “conformes”.

Só que alguns meses depois, uma vizinha da minha falecida mãe me contou que os tais corretores haviam passado o apartamento adiante a quase o dobro do preço que eu havia pedido.

Ou seja, me enganaram. Já sabiam que o imóvel valia muito mais do que eu pedia, provavelmente não foram à busca de clientes, e armaram para comprar o imóvel nas minhas costas, e ganhar um grande lucro.

O corretor de imóvel não existe só para comercializar o imóvel, e ganhar sua comissão. Parte da sua função é aconselhar o vendedor sobre qual é o melhor preço. Obviamente, a corretora e seu filho sabiam disso, porém, em vez de me alertar honestamente que eu estava pedindo muito pouco pelo imóvel, decidiram ganhar uma grana legal em cima do papai. O fato de terem esperado para identificar a identidade do corretor só me leva a crer que houve má fé da parte deles.

Que fiquem alertados. Se o seu corretor estiver comprando seu imóvel, pode crer que você está sendo lesado. NÃO ACEITE.

Boas intenções, maus resultados

Post antigo, porém legal

Foi veiculada uma notícia curiosa. Deputados do Rio de Janeiro, preocupados com a saúde bucal da população, teriam aprovado em primeira votação um projeto de lei que obrigaria os restaurantes cariocas a fornecer fio dental aos clientes. Segundo o tal projeto, o fio dental deveria ser fornecido em quantidade suficiente para uso da clientela, em uma embalagem (julgo que individual), que impeça a contaminação e que contenha o prazo de validade.

Também me preocupo com a saúde oral dos meus irmãos brasileiros. Até por razões egoístas, é mais bonito ver gente com dentição completa,sem tons verdes e pretos, e é mais gostoso falar com pessoas sem bafo causado pelas cáries.

Já imagino pessoas pegando os fios dentais, e usando-os na própria mesa, julgando ter atingido uma outra conquista social. Pedacinhos de carne mastigada voando para as mesas do lado, gente babando em profusão, e um ou outro com sangue derramando nos lados do lábio inferior. Mas a rapeize contente com mais esta conquista. Pão, circo e fio dental.

Se o fio dental for fornecido no banheiro, para uso no banheiro, parabéns pela iniciativa. Agora, se for fornecido nas mesas, a la palitos, não tenho dúvida de que as grotescas cenas descritas acima ocorrerão cada vez com mais frequência.

Em uma nota separada, o nosso querido Ministro da Cultura Gilberto Gil propôs que a ayhuasca, a alucinógena erva usada em rituais da seita Santo Daime, fosse considerada patrimônio cultural do Brasil. A sugestão pode ser contestada sob diversos prismas. Nem tudo que é ou era praticado por um ou outro grupo social brasileiro deve ser aceito como culturamente correto e celebrado como patrimônio cultural. Se assim fosse, deveríamos celebrar os hábitos antropofágicos dos índios Goitacá e Aimorés, que populavam o Brasil aos montes há algumas centenas de anos atrás. Sob o ponto de vista de importância numérica, não julgo que sejam tantas as pessoas que tenham experimentado ou usado a ayhuasca para justificar que a dita se torne patrimônio da nação, como a feijoada. O Santo Daime sempre foi um movimento religioso extremamente periférico, sem nenhuma importância na cultura de modo geral. A única diferença é que um ou outro global abraçou a causa.

Até aqui não toquei em considerações morais, também existentes, afinal de contas a tal erva tem sérios efeitos alucinógenos. Na realidade nem é preciso enfocar questões morais, pois a sugestão é absurda pelos fatos indicados acima.

Quem sabe o ocupado Ministro, preocupado com a sua turnê pela América do Norte, e em que roupas e balangandãs deve trazer para parecer `cultural` aos olhos ianques, possa ter sido influenciado por algumas pessoas que visam a legalização de outras substâncias alucinógenas. O enobrecimento da ayhuasca seria o ponto de partida ideal, né? Não duvido que cheirar cola logo seja declarado um patrimônio cultural do Brasil.